Depois de “O que você quer?”, qual é a próxima pergunta?

Descobrir o que você deseja é o primeiro passo para conseguir

por Arline Davis em 15 de agosto de 2018

Uma vez eu ouvi um comentário instigante do Robert Dilts, grande expoente da PNL: “Se você não quer nada, então a PNL não tem muito para te oferecer.”

É verdade, pensei para mim mesma naquele momento. A pergunta constante da PNL é “o que você quer?”

Inclusive esta é a pergunta que fazemos como um primeiro passo em um trabalho de PNL, seja para um indivíduo ou para uma organização, antes de escolher o que fazer, como intervir, por onde mexer para conseguirmos resultados.

Se não está querendo nada diferente para sua vida, não faz muito sentido se envolver nos processos que vão criar ajustes no seu pensamento, palavras, sentimentos e ação.

Esta pergunta “o que você quer?” merece ser bem trabalhada, de acordo com as “Condições de Boa Formulação de Objetivos”, para que a mente tenha uma representação interna poderosa e efetiva para favorecer o êxito.

Um ponto bem importante é focar aquilo que você quer, em vez daquilo que não quer. Por exemplo: “Quero acabar com a minha dívida.” é um objetivo louvável, porém com uma vulnerabilidade lingüística: foca naquilo que não está querendo – a dívida.

Cada vez que você pensa na sua meta, está pensando naquilo que é a fonte de incômodo, preocupação ou até medo e desespero. O objetivo é positivo no sentindo de querer algo melhor, mas negativo em termos lingüísticos.

Primeiro, vamos tratar da parte louvável do objetivo com a formulação. Que bom que está sabendo o que não quer. Melhor ainda se está farto e cansado da situação.

Querer acabar com uma situação não desejável é uma grande estratégia de motivação. Reconhecer o que NÃO serve para você e sua vida é uma maneira de usar o contraste para te orientar em direção daquilo que tem a ver com a vida que quer viver.

Então, aproveite-se da informação que vem pelo contraste e refoque sua atenção naquilo que verdadeiramente quer e os bons efeitos esperados.

O que uma coruja tem a ensinar?

Bem, não é qualquer coruja, mas uma muito especial e sábia chamada de Salomão, que figura no livro “Sara”, de Esther e Jerry Hicks, uma fábula para leitores de qualquer idade sobre caminhos de sucesso e bem estar.

Na história, o Salomão apresenta lições à pequena heroína Sara, que a ajudam a manter um bom foco para conseguir metas e um estado de espírito que acaba atraindo aquilo que ela deseja ter.

Um belo dia na floresta, a Sara comenta: “Gostaria de poder voar como você, Salomão!” E ele perguntou: “Porque gostaria, Sara?” A menina respondeu, “Ah… porque é uma chatice caminhar aqui no chão o tempo todo. É muito devagar. Leva um tempão para se chegar a qualquer lugar e não se consegue ver muito. Somente as coisas que estão aqui no chão. Coisas chatas.”

Salomão não estava satisfeito e disse para a Sara que não havia respondido sua pergunta. “Você me disse porque você não quer andar!” Sara se perguntou se fazia tanta diferença assim e Salomão exclamou: “Claro que sim, faz uma diferença enorme!

Experimente outra vez. Diga-me agora a razão pela qual você quer voar.”  Sara ainda não havia pego o jeito do negócio, porque emendou com mais razões de não gostar da limitação de ficar somente no chão: “… porque não curto andar e demora me transportar pelo chão.”

Salomão, com a paciência dos sábios deu-lhe outra chance. “Diga-me, Sara, porque quer voar! Fale diretamente sobre o que quer. Como seria voar? Como se sentiria voando?”

E, com este estímulo, finalmente Sara começou a entrar no clima da lição do Salomão. “Voar é me sentir livre. É como boiar, só que é mais rápido…seria divertido! Me sentiria livre! Voaria como o vento! Seria bom demais!”

Sara abriu um sorriso lindo e sentiu-se livre só de pensar nisso. Aliás, tão leve e solta ela se sentiu que acabou primeiro flutuando e depois deslizando e logo em seguida, voando e sobrevoando, justamente como imaginava. Havia atraído para si mesma a experiência que desejava, colocando o foco naquele lugar da imaginação que cuida de desejos ardentes que provocam realidades.

E qual é a próxima pergunta?

Especialmente quando falamos sobre coaching de vida, há uma premissa que nos guia: aquilo que você foca aumenta.

Se focar a lacuna entre seu estado desejado e seu estado atual, a lacuna aumentará. Muitas vezes, a pergunta “Porque você quer aquilo”  inadvertidamente acaba levando o foco, pesadamente, para os aspectos negativos do estado atual.

Ao focar só em aspectos negativos do estado atual, corre-se um grande risco de se gerar um estado de espírito negativo ao experimentar o desagrado daquilo que não se quer.

À sabedoria do Salomão, só quero acrescentar um pouco de PNL. Uma pergunta que funciona muito bem é: “Para que você quer esta meta?”

Experimente esta pergunta com uma meta sua. Note como ela te leva para o futuro desejado e para um efeito desejado. Se continuar perguntando: “Para quê?” sobre cada resposta obtida, você vai chegar a um valor fundamental.

Quando estiver em contato com este valor fundamental, você vai sentir o estado essencial associado ao valor, como no caso da Sara, que teve a sensação leve e solta por ter focado em tudo de bom que voar ia fazer para ela.

Foque o que você quer, para que você o quer, vivencie aquele estado essencial como se fosse agora e isto gerará em você um estado de espírito altamente criativo, agradável, naturalmente motivado, capaz de nutrir e mobilizar ações que vão te impulsionar na direção daquele estado desejado.

Sabe que, na PNL e no Coaching, trabalhamos muito no sentido de reenquadrar supostos “fracassos” em “feedbacks”, para que resultados negativos nos levem a pensar em coisas melhores como aprendizagem e acerto dos ponteiros.

Que tal, daqui para frente, focar mais diretamente na pergunta “Para quê?”

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