Tumb Aprender

Viver e não ter a vergonha de ser feliz
Cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz…
Gonzaguinha

Aprender é uma maneira de abordar o conhecimento e a vida, em que a ênfase é colocada na iniciativa humana. Ela engloba a aquisição de novos metodologias, novas habilidades, novas atitudes e novos valores, necessários para se viver num mundo em mutação. O aprendizado é um processo em que nos preparamos para lidar com novas situações (Alvin Toffler).

“Não é um grande prazer aprender, aprender mais e aprender de novo?” Confúcio fez esta pergunta quase 500 anos antes de Cristo. E aprender ainda é para nós sujeito de muitas perguntas ainda sem respostas.

Aprender por quê? Aprender para que? Parece-me que aprendemos porque não há outro jeito, porque esta é a nossa natureza. Aprendemos porque nosso aparato sensorial nos obriga. Com tanto para ver, ouvir e sentir, só nos resta estabelecer relações e significados entre todos este inputs que recebemos. Uma vez alguém disse que quando o Criador concluiu sua obra, infinitamente completa, colocou uma tabuleta onde havia a inscrição “A quem interessar possa.” E aí está.

Conhecer é diferente de aprender e de saber. Mais da nossa neurologia está envolvida no processo de aprender do que no de conhecer. Aprender é mais parecido com incorporar como verdade, com fazer sentido e ter ressonância em nossas crenças e identidade. E a outra tarefa, até mais árdua, mais instigante, e quando possível, mais prazerosa, talvez seja o desaprender para aprender de novo. É desejável que seja um ciclo sem fim, e tem sido assim com os indivíduos através de gerações e gerações. E ocorre na maioria das vezes como um processo inconsciente, do qual não conhecemos. É mais fácil aprender do que não aprender.

Quando aprendemos, nossos modelos mentais se ampliam, e mais do mundo se mostra. É como recriar o universo a cada momento. Na busca de reconhecer o processo da aprendizagem colheram-se depoimentos de pessoas tidas como eternos aprendizes, que demonstram que eles compartilham alguns traços comuns:

• “Aprendem com facilidade quando o assunto os interessa, quando podem ver e fazer uma conexão a alguma coisa que já conhecem ou sabem ou ainda com algo que lhes possa ser útil no futuro.

• “Nenhum deles aprende sob stress e alguns, às vezes, se referem a si mesmo com nós, nestes momentos do”eureka”. Como se reconhecessem e levassem em conta suas múltiplas facetas envolvidas no processo de curiosidade e o encantamento pela descoberta.

• “Todos são hábeis em criar imagens, gostam se imaginar outros elementos presentes na experiência, vendo, ouvindo e sentindo a partir de pontos de vista diferentes.

• “Eles têm presente a pressuposto de que não sabem tudo e que suas crenças são apenas formas de alinharem os eventos com as informações de que dispõem até então.

• “Tomam erros por resultados e acham que errar é apenas outra forma de aprender. 

• “E adoram brincar de faz de conta.

Para o eterno aprendiz o aprender envolve curiosidade, liberdade para pensar além do quadrado, flexibilidade em relação aos significados dados aos eventos, compreensão da fragilidade do que denominamos realidade e um grande amor às diferenças. Entre outros requisitos… Nós aprendemos a partir da experiência direta, com nossos erros e acertos, aprendemos com modelos reais ou virtuais e aprendemos através de histórias, metáforas e parábolas.

Perceber em cada momento a oportunidade de aprender alguma coisa, de provocar novas conexões no que nos parece já conhecido, de fazer perguntas jamais feitas, de inaugurar caminhos neuronais inéditos, pode proporcionar respostas magníficas seguidas de não menos magníficos, grandes e saborosos pontos de exclamação!

Aprender é uma grande e divertida aventura. Desfrute dela.